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Trailer de “Total Recall”, remake de “O Vingador do Futuro”!

A Sony Pictures divulgou o primeiro trailer de Total Recall, remake de “O Vingador do Futuro”, sci-fi estrelada por Schwarzenegger nos anos 1990. Baseado na obra We Can Remember It For You Wholesale de Philip K. Dick, o longa é um thriller de ação cheio de reviravoltas e traz Colin Farrell como protagonista, no papel que outrora pertenceu ao ex-Governator.
Na trama, Farrell interpreta Douglas Quaid, operário de fábrica que decide sair da rotina maçante e transformar-se num super-espião usando os serviços da Rekall, empresa hitech que implanta memórias no cérebro. Mas, algo dá errado durante o processo e de repente Quaid se vê perseguido pela policia e lutando com o movimento rebelde para derrubar o estado totalitário. Assista:

Na nova versão, as viagens à Marte são descartadas em prol de uma premissa que envolve disputa pela supremacia entre os estados-nações Euroamerica e New Asia. Bryan Cranston faz o chanceler euroamericano, que secretamente prepara uma invasão sob o pretexto de defender o povo euroamericano. Kate Beckinsale (no papel que foi de Sharon Stone) interpreta a esposa de Quaid e Jessica Biel faz o interesse amoroso do herói no lado da resistência, liderada por Kuato (Bill Nighy). A direção ficou a cargo de Len Wiseman (“Anjos da Noite”). A estreia de Total Recall está marcada para 3 de agosto.


By Getro

Ridley Scott dirigirá continuação de 'Blade Runner'


Trinta anos depois de seu lançamento, "Blade Runner" ganhará uma continuação. Ou um "prequel". O diretor Ridley Scott - também responsável pelo sucesso de ficção científica, lançado em 1982 - ainda não decidiu se o novo longa se passará antes ou depois do original, ambientado no vindouro ano de 2019. As informações são do site The Hollywood Reporter.
A Alcon Entertainment, produtora responsável pelo ganhador do Oscar "Um sonho possível", de 2009, adquiriu os direitos para rodar o longa no começo deste ano. No acordo, não estava previsto um remake do original, mas seus executivos não confirmam se o filme retratará o começo da saga de Rick Deckard, vivido por Harrison Ford, e sua luta contra os replicantes ou se abordará sua vida posterior.

Vamos aguardar.


Fonte: O Globo







PHILIP K. DICK VOLTA À CENA COM LIVRO E UMA SÉRIE DE PRODUÇÕES BASEADAS EM SUAS HISTÓRIAS


Você pode até não saber quem é Philip K. Dick, mas com certeza você já ouviu falar de pelo menos um dos filmes baseados no que ele escreveu. Afinal de contas, a obra do escritor americano gerou adaptações milionárias para a telona, como Blade runner: o caçador de androides,Minority report: a nova lei e O homem duplo, todos com grandes nomes como atores principais e excelentes diretores por trás das câmeras.
E vem aí mais uma avalanche de filmes inspirados em suas obras. O diretor francês Michel Gondry (O besouro verde) está adaptando para o cinema o livro Ubik, considerado pela revista Time um dos 100 melhores romances em língua inglesa – mostra o planejamento que pessoas mortas fazem de suas próximas vidas. O diretor Ridley Scott, que dirigiu Blade runner, está produzindo série baseada no mundo em que os nazistas venceram a Segunda Guerra, tema do livro O homem do castelo alto. E o longa Os agentes do destino, com Matt Damon, adaptado do conto “Adjustment Bureau”, tem estreia prevista para este mês no Brasil.
 Outra boa notícia é que, depois de um tempo sumido das prateleiras, Philip K. Dick volta a ser encontrado com facilidade nas livrarias. O lançamento mais recente do autor no Brasil é Os três estigmas de Palmer Eldritch, publicado pela Editora Aleph e escrito originalmente em 1964. No livro, Philip K. Dick mescla religião, colonização de outros planetas e um tema extremamente atual: o aquecimento global, que leva as pessoas a usarem aparelhos de ar-condicionado portáteis e a passar férias na Antártida para fugir do calor. Qualquer semelhança com o noticiário cada vez mais alarmante com o clima pode não ser mera coincidência. A obra se junta a outras publicações recentes do autor no país, como O caçador de androides, que baseou o hoje clássico Blade runner, e O homem do castelo alto, que mostra uma distopia em que os nazistas venceram a Segunda Guerra.
 Nem sempre foi assim. Depois dos anos 1980, quando teve inúmeros livros publicados no país e edições importadas de Portugal ajudavam a disseminar as obras, o autor praticamente desapareceu das livrarias, com exceção de uma ou outra publicação pontual, baseada na adaptação de algum livro para o cinema. Só a partir de 2006, com a publicação de O homem do castelo alto, ele passou a merecer uma atenção melhor tanto do mercado quanto dos leitores.
Temas atuais
Marcos Fernando de Barros Lima, produtor editorial da Editora Aleph, uma das responsáveis pelo retorno do autor às prateleiras, afirma que, “sendo Philip K. Dick um dos autores mais renomados da área de ficção científica, ele faz parte da proposta da editora de resgatar os clássicos desse ramo da literatura, que merece mais atenção e destaque”. Segundo ele, os livros estão vendendo bem. Para o produtor, as obras do escritor americano voltaram a interessar o público pelo fato de tratarem de temas que estão em discussão hoje em dia, mesmo tendo sido escritas há mais de 40 anos.
“Philip K. Dick tem potencial suficiente para atingir diversos tipos de leitores. Em seus livros, trata de temas muito atuais, como aquecimento global, drogas e aborda questões filosóficas, espirituais e tecnológicas”, explica. De fato, esta mistura entre tecnologia e misticismo é marcante na obra de Philip K. Dick. Um dos precursores do gênero cyberpunk, ele passou cada vez mais a incrementar o cenário hi-tech de seus livros com abordagem sobre abusos de drogas, parapsicologia, sem falar em questionamentos religiosos, baseados principalmente nas próprias experiências no assunto. Em 1974, passou por momento de delírio. Acreditava ter vida dupla, como escritor no século 20 e cristão perseguido pelos romanos no século 1. A experiência, claro, marcou seu trabalho, principalmente nos escritos no fim da vida, como Valis.
Para este ano, não há mais lançamentos previstos, mas isso não é necessariamente uma notícia ruim. Além de os livros do autor seguirem no prelo para novas traduções, dá tempo de quem se interessar pelo estranho universo de Philip K. Dick se inteirar do assunto. Afinal, é sempre bom saber como vai ser o mundo quando a temperatura média bater os 50 graus.
Para começar a ler
A bibliografia de Philip K. Dick é vasta. São 36 romances e centenas de contos que o autor produziu entre 1950 e 1982. Muito pouco do que ele publicou chegou a ser traduzido no Brasil e os livros encontrados com maior facilidade são os publicados pelas editoras Aleph e Rocco, que dividem os direitos do autor no país. Duas boas portas de entrada para o mundo de Dick são O caçador de androides e O homem do castelo alto.
Se o leitor tiver disposição de explorar sebos, as opções de leitura ficam mais diversificadas. As edições portuguesas da Editora Europa-América e os livros publicados nos anos 1980 pelas editoras Melhoramentos e Brasiliense, como O labirinto da morte e Os clãs da lua Alfa, podem ser encontrados com facilidade pelas estantes, apesar de estarem esgotados há vários anos.
Livros de Philip K. Dick no Brasil
Pela Editora Aleph
O homem do castelo alto (304 páginas, R$ 44)
Os três estigmas de Palmer Eldricht (248 páginas, R$ 42)
Ubik (238 páginas, R$ 42)
Valis (304 páginas, R$ 44)
Pela Editora Rocco
O caçador de androides (256 páginas, R$ 36)
O homem duplo (308 páginas, R$ 38,50)
Vozes da rua (432 páginas, R$ 58,50)
Inspiração do cinema
Sem dúvidas, o filme mais famoso baseado em uma obra de Philip K. Dick é Blade runner: o caçador de androides. O trabalho foi o primeiro a ser adaptado, em 1982, pelo diretor Ridley Scott. Com Harrison Ford no papel de Deckart, um policial cujo trabalho é perseguir os replicantes, robôs que são idênticos aos humanos, mas estão fora da lei. O visual impressionante da Los Angeles futurista, onde não há animais de carne e osso e a vida está se extinguindo, juntamente com a trilha criada por Vangelis, ajudou a catapultar o filme para o status de cult. Philip K. Dick em pessoa chegou a visitar o set de filmagens e aprovar tudo que estava sendo feito, antes de morrer de um AVC, seis meses antes do lançamento do filme.
Além do clássico, vários outros filmes alcançaram sucesso razoável e contaram com grandes estrelas em papéis principais e por trás das câmeras. O vingador do futuro (1990) traz no elenco Sharon Stone e Arnold Schwarzenegger, que interpreta um homem que vai até Marte em busca de respostas para suas memórias implantadas. Minority report (2002) foi dirigido por Steven Spielberg e tem Tom Cruise no papel do policial que precisa proteger uma paranormal que prevê crimes.
Já O homem duplo, de 2006, conta com Richard Linklater (Waking life, Escola do rock), além de uma trinca de atores de fazer inveja. Keanu Reeves tem o papel principal, um detetive que se infiltra em um grupo de viciados na droga Substância D para descobrir quem a produz. Winona Ryder faz a namorada do policial e Robert Downey Jr. é um dos dependentes químicos. Para quem ficou com vontade de ver: todos estão disponíveis em DVD e podem ser facilmente encontrados até em grandes lojas de departamento.
Poster Teaser Ubik
 Filmografia
. Blade runner: o caçador de androides, de 1982. Dirigido por Ridley Scott, com Harrison Ford. Baseado no livro Caçador de androides
. O vingador do futuro, de 1990. Dirigido por Paul Verhoeven, com Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone. Baseado no conto “Podemos recordar para você, por um preço razoável”
. Confissões de um louco, de 1992. Dirigido por Jérôme Boivin. Baseado no livro Confessions of a crap artist
. Screamers: assassinos cibernéticos, de 1995. Dirigido por Christian Duguay. Baseado no conto “Second Variety”
. O impostor, de 2002. Dirigido por Gary Fleder. Baseado no conto “Impostor”
. Minority report: a nova lei, de 2002. Dirigido por Steven Spielberg, com Tom Cruise. Baseado no conto “The Minority report”
. O pagamento, de 2003. Dirigido por John Woo, baseado na história “Paycheck”
. O homem duplo, de 2006. Dirigido por Richard Linklater, com Keanu Reeves, Winona Ryder e Robert Downey Jr. Baseado no livro O homem duplo
. O vidente, de 2007. Dirigido por Lee Tamahori, baseado no conto “The Golden Man”

fonte: >> UAI – por João Renato Faria

Ubik: Mais Philip K. Dick nos Cinemas

 

Ubik, livro de ficção científica foi escrito por Philip K. Dick, o mesmo autor da obra que serviu de base para o filme Blade Runner - O Caçador de Androides, O Vingador do Futuro, Minority Report-a nova lei, O Vidente, O Homem Duplo...

De acordo com o site Deadline, Michel Gondry está adaptando para as telonas Ubik (1969), romance de ficção científica do falecido Philip K. Dick que foi considerado pela revista Time um dos melhores 100 de todos os tempos. Gondry, provavelmente, também irá dirigir a versão cinematográfica da obra.

A história metafísica se passa em 1992 (ou seja, para a época, era futurista) e retrata a morte e a salvação ao mostrar pessoas mortas confabulando e planejando sua próxima encarnação.

Steve Zaillian e Steve Golin estão cuidando da produção por meio das empresas Film Rites e Anonymous Content. Enquanto nenhum estúdio abraça o projeto, Golin está fornecendo o financiamento necessário para que a ideia seja desenvolvida. Garrett Basch assume como produtor executivo.

Gondry confirmou ao site Allocine que a adaptação do livro está na sua lista projetos, mas ele ainda não definiu qual será seu próximo filme.

A história de Ubik, gira em torno de um homem que trabalha em uma empresa de segurança especializada em bloquear espionagem telepática. A empresa começa a ter dificuldades após aceitar um trabalho na lua.

O filme mais recente de Gondry, foi “Besouro Verde”.
O Diretor Michel Gondry
Vale lembrar que Philip K. Dick é, também, autor de Androides Sonham Com Carneiros Elétricos, que serviu de base para o premiado longa Blade Runner - O Caçador de Androides (1982). Mais dois livros dele estão sendo levados às telonas: seu conto Adjustment Bureau virou o filme Os Agentes do Destino, que deve estreiar em abril por aqui, com Matt Damon e Emily Blunt no elenco. Já Podemos adiantar para você que O Vingador do Futuro, com Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone, ganhará um remake em 2012 com Colin Farrell estrelando.

“BLADE RUNNER”: WARNER QUER SEQUÊNCIA E O DIRETOR DE “BATMAN”, CHRIS NOLAN, PODE DIRIGIR


A Warner Bros., juntamente com a Alcon Entertainment, pretende produzir sequências e pré-sequências para o clássico de ficção científica “Blade Runner – O Caçador de Andróides”, de 1982. Recentemente, a Alcon, que pertence à Warner, adquiriu os direitos do filme.

Os representantes da Alcon, Andrew Kosove  e Broderick Johnson, responderam de maneira bem vaga sobre o que pretendem fazer com as possíveis sequências do filme.

- Realmente não sabemos ainda. Nós passaremos por um processo no qual vamos ouvir diferentes ideias de roteiristas e de potenciais diretores antes de definir algo – disse Kosove.

Sobre possíveis diretores, Kosove cita Chistopher Nolan, famoso por “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.
- [Queremos] Nosso amigo Chris Nolan com quem fizemos “Insônia”. A metodologia que Chris trouxe para “Batman” é precisamente o que nós queremos de um cineasta – explicou.

Fala-se ainda em pré-sequências, que contariam a história acontecida antes daquela que se passa no primeiro filme.  “Blade Runner” se passa no ano de 2019 e traz Harrison Ford como o protagonista, cuja missão é caçar replicantes, robôs que tentam se passar por humanos.

>> O REPORTER – por Felipe Rocha



10 previsões dos filmes de Ficção Científica que não aconteceram


Prever o futuro é coisa complicada, entre cientistas, sociólogos, picaretas e outros estudiosos do assunto, uma classe se destaca por ser a mais popular e descompromissadamente abusada, a dos roteiristas de cinema. Ao contrário dos filmes que tratam do futuro distante, algumas produções apostam num futuro próximo.
O problema é que o tempo passa, irremediavelmente esse futuro próximo chega e a história do cinema comete algumas gafes interessantes. Por isso listei aqui 10 promessas do cinema futurista que não deram certo.
1966 - Monotrilhos, arranha-céus e cogumelos nucleares
 Foi o que o viajante do tempo George presenciou quando viajou para a Londres em plena década de sessenta. Assim foi o fim do mundo foi imaginado por H.G. Wells em 1897 no seu clássico “A Máquina do Tempo” adaptada pro cinema em 1960. Mérito para Wells que surpreendentemente acertou eventos que realmente ocorreriam como as Guerras Mundiais. Porém, no caso acima vacilou, o máximo que o pobre George teria presenciado em 66 era a fervilhante Swingin London e a comemoração Inglesa pela Copa do Mundo daquele ano.
1970 - Ah, Uma casinha na lua
No filme “Project Moonbase” a premissa era um projeto para a construção de bases lunares. Parece absurdo, mas se você imaginar que no ano em que entrou em cartaz, 1953, o homem ainda nem tinha pisado no nosso satélite solitário, dá para relevar. Na verdade já se passaram 30 anos da previsão, e nós ainda não temos nenhum sinal da construção da tal base lunar, e este projeto está sendo especulado para 2069.
1984 – O Big Brother observa você
 Para George Orwell era fácil imaginar em 1948 que décadas depois, um partido poderia assumir o controle vigilante e paranóico de toda uma sociedade. Era o pós-guerra, o medo de governos totalitários e o assombro com a destruição nuclear estavam em pauta. O fato é que já passamos em muito o tal “1984″ (o filme foi rodado no mesmo ano) e até agora “Big Brother” é apenas um programa de TV.
1997 – Virus letal mata geral
Essa não é uma promessa científica na verdade, mas é um aviso sobre o resultado da tecnologia em mãos erradas. Era a promessa de “Os Doze Macacos” onde o mundo seria devastado por uma estranha e devastadora doença. O filme é de 1995, ou seja, uma previsão bastante ousada. Pior, quase acertou, pois em 1998, o vírus Ebola, altamente contagioso surpreendeu todo o mundo e poderia ter confirmado a previsão do filme de Terry Gilliam.
1997 – Holocausto Nuclear, Inteligência artificial e outras bossas
Durante a Guerra Fria o medo de uma guerra nuclear era tangível e muitos filmes como “O Dia Seguinte” mostraram versões de como seria este holocausto. Alguns filmes chegaram até a fazer uma previsão “exata” como “Exterminador do Futuro” que dava como certo o dia 29 de agosto de 1997 para o Juízo Final, causado por um levante da rede de computadores. Felizmente, nada remotamente parecido aconteceu na data prevista.
1997 – Nova York – Carandiru Gigante
1997 era mesmo o ano. No cinetrash “Fuga de Nova York” a grande maçã se transformou lá pelo ano de 1997 em uma gigantesca Alcatraz, onde os mais terríveis tipos de criminosos estão exilados. Bem, tivemos alguns atentados graves e governos republicanos por lá, mas nada que reduzisse a cidade em um monte de escombros habitados por facínoras.
1998 – Viagens no tempo e backup de cérebro.
No obscuro filme de ficção científica “Freejack – Os Imortais”, o personagem de Emílio Esteves é enviado ao futuro de 2009 onde teria sua mente transplantada para o corpo de Anthony Hopkins e vice versa. O fato é que as possibilidades de viagens no tempo e downloads de cérebros acabaram descartadas na década passada.
2001 Odisseias no espaço
Naves espaciais capazes de fazerem viagens para Júpiter, inteligência artificial, tudo isso foi prometido na obra “2001”, bem o ano já passou e até agora, 10 anos depois, o máximo de aventura que tivemos no espaço foi um passeio espacial para consertar algum satélite. Se você parar para pensar no assunto, isto é bem entediante, não é?
2004 – Viagem no tempo e Espacate do futuro
No futuro próximo do filme “Guardião do Tempo”, viagens temporais já seriam uma realidade. Tanto que já existiria até mesmo uma agência que cuidaria de manter a realidade espaço-temporal intocada, a Time Enforcement Commission. Agência essa que contrataria como seu policial mais dedicado nada mais que Jean Clude Van Damme. Loucura, loucura, loucura. Ou pelo menos uma proposta ousada, já que o filme é de 1994.
2010 – O ano em que faremos Contato, ou não….
 “Ok, 2001 é muito cedo, vamos avançar 10 anos para poder abusar mais” não sei se foi esse o pensamento, mas Arthur Clarke previu que em 2010 era o ano em que a raça humana encontraria raças alienígenas. Bem, no fim da década conhecemos a Lady Gaga, mas acho que isso ainda é muito distante do contato alienígena que Clarke imaginou.
2015 – carros voadores, skates voadores e pizzas desidratadas
Todas essas maravilhas foram prometidas no divertidíssimo “De Volta para o Futuro Parte 2″. O problema é que faltam apenas 4 anos para a época na qual a trama é passada, e somente um contato com uma avançada civilização alienígena, que também não aconteceu em 2010, pode viabilizar todas as promessas feitas neste ótimo filme.
2019 – Panair dá a volta por cima?
No filme “Blade Runner” estamos em 2019 e apesar de um cenário de carros voadores (olha eles aí de novo) e colonização espacial se tornar cada dia menos provável, um detalhe interessante: Lá pelas tantas aparece um gigantesco luminoso da PanAir, que sugere que a companhia de aviação seria naquela época uma mega-coorporação. Bem, se for assim mesmo, alguém precisa urgentemente recriar a empresa, porque a PanAm faliu miseravelmente ainda em 1991.

Pablo Peixoto by Techtudo

Philip K. Dick


"O homem normal não sabe que tudo é possível" - Philip K. Dick

Philip Kendred Dick (1928-1982) era um alucinado. Daqueles típicos hippies drogados dos anos 60. Enxergava raios de luz rosa. Acreditava em reencarnações e em conspirações globais.
Acontece que o escritor, nascido em Chicago, mas californiano de formação, diferenciava-se da maioria dos paranóicos pelo teor da sua obra. Dick escreveu 36 romances - alguns em quinze dias, durante delírios turbinados por anfetaminas - mais cinco historietas curtas, produzidas no início de sua carreira, entre 1952 e 1956. Tecnicamente, sua ficção-científica não se aproximava da classe de um Arthur C. Clarke, estava mais para um estilo bem folhetinesco. Mas Dick sobreviveu ao tempo, superou sua geração graças aos temas abordados em seus livros. Há quarenta anos, o escritor discutia ética e experiências genéticas, liberdades individuais e problemas de identidade, controle de mentes e demais interferências humanas na ordem natural das coisas. O escritor era um visionário.
Muitas das experiências reais de Dick (foi abandonado pelo pai aos cinco anos de idade, assistiu à morte prematura das suas irmãs gêmeas recém-nascidas, além de casamentos desfeitos e problemas com drogas) serviram para construir uma personalidade pessimista. Em seus livros, o futuro sempre seria pior do que o tempo presente. A Los Angeles de Blade runner - O caçador de andróides (Blade runner, de Ridley Scott, 1982), fria, suja, escura e superpopulosa, era fiel ao pensamento do autor. O quarto imundo do cirurgião de olhos, exibido em Minority report, provavelmente foi imaginado assim por Dick.
Nos livros, fica evidente o descrédito no governo, nas autoridades. Seu primeiro romance, Solar Lottery (1955), exibe um mundo comandado por lógica e números: os governantes mundiais são escolhidos numa sofisticada loteria. Por outro lado, há também a porção metafísica. No fim da carreira, Dick produziu textos autobiográficos fantasiosos, descreveu experiências com alienígenas e combates entre o Bem e o Mal, baseados em preceitos religiosos.
A consolidação veio somente depois da sua morte. Por mais que o trocadilho seja perigosíssimo, seus seguidores ostentam o orgulho de se denominarem dickheads. Veneram uma personagem folclórica, suspeita de ter sofrido de esquizofrenia, mas capaz de imaginar coisas que hoje se tornaram reais, como a clonagem e os Big Brothers da vida.
Adaptadas ao cinema, suas obras tornaram-se cult-movies. Os dois exemplos mais célebres, Blade runner e O vingador do futuro (Total recall, 1990), serviram para impulsionar as carreiras dos diretores Ridley Scott e Paul Verhoeven. Mas, se o reconhecimento é merecido, a fama já causa alguns problemas. Com o tempo, adquirir o direito de seus textos tornou-se um investimento e tanto, quantia suficiente para inviabilizar inúmeros projetos cinematográficos.
Filmes como Gattaca (de Andrew Niccol, 1997), Pi (de Darren Aronofsky, 1998) e Matrix (The Matrix, de Andy e Larry Wachowski, 1999) somente esbarram em conceitos já imaginados pelo autor. Atualmente, além do filme de Steven Spielberg, apenas Impostor (2002), de Gary Fleder, arrisca-se a bancar uma adaptação direta. Uma pena. E pensar que a história de Minority report, altamente profética, foi publicada na revista Fantastic Universe no longínquo ano de 1956.


2002 também foi um ano significativo para a ficção cientifica. Entre inúmeros aniversários importantes, lá se foram dez anos da morte de Isaac Asimov, autor que deixou uma das obras mais volumosas e significativas tanto na ficção quanto na divulgação científica. E lá se foram também vinte anos cravados que Philip K. Dick (nascido em 1928) deixou esse mundo, para, quem sabe, estar "perdido em visões enevoadas de uma realidade arquetípica de protoforças cósmicas latentes no universo temporal" ("Clãs da Lua Alfa", 1964); e, como ele veio a falecer justamente durante a montagem final do filme "Blade Runner, O Caçador de Andróides", baseado em obra sua, tivemos, também, o aniversário deste que é considerado o segundo melhor filme de ficção cientifica de todos os tempos. A despeito desse fato, entretanto, na época em que foi lançado, grande parte de crítica e público não compreendeu a profundidade do filme e virtualmente o abandonou, para vir a redescobrí-lo muitos anos mais tarde e a amá-lo como a um "cult". E talvez esse fato se justifique (pelo menos em partes), pois somente no começo dos anos de 1990 é que foi descoberta a versão original do final, aquela que Ridley Scott (o diretor) foi proibido de utilizar na montagem que seria levada às telas (ele teve de fazer uma versão alternativa, mais "soft", devido à pressão dos produtores). Essa versão alternativa não agradava ao diretor e nem mesmo aos atores envolvidos com a produção (incluindo Harrison Ford, o cabeça do elenco), mas, por motivos comerciais, ela teve de ser utilizada. Só depois que a versão original misteriosamente apareceu, em 1991, é que se percebeu como era medíocre e patético aquele final tipicamente hollywoodiano que os produtores impuseram; além de quebrar toda a dramaticidade da história, esse final (feito com sobras de "O Iluminado",1980, de Stanley Kubrick), funcionava unicamente como um verdadeiro anticlímax, sem deixar margem para qualquer tipo de especulação (somente pode perceber isso quem sente um arrepio na espinha quando Deckard, o personagem central, antes de entrar no elevador com Raquel, para seguir adiante num futuro completamente indeterminado, pisa naquele unicorniozinho de papel: nunca um elemento tão insignificante significou tanto).
"O Caçador de Andróides" ("Do Androids Dream of Eletric Sheep?", 1968) foi o primeiro livro de Philip K. Dick que tive a oportunidade de ler (talvez por ser o mais fácil de se encontrar nesse país de oportunismo comercial acima de qualquer suspeita) e desde então caí fascinado pela obra desse autor complexo e definitivamente inovador. Embora nem se compare a Asimov no aspecto produtivo, Dick é igualmente idolatrado não só nos Estados Unidos, mas em todo mundo. Em vida, não foi levado muito seriamente, é verdade, mas bastou morrer para virar uma espécie de culto entre os amantes do gênero. Principalmente depois do lançamento do filme de Scott, que, a exemplo do também fascinante "Alphaville" (1965), de Jean Luc Godard, é um dos poucos "sci-fi noir" legítimos, a despeito do fato de ser ambientado numa sufocante megalópole cyberpunk que é a Los Angeles de 2019. É verdade que Dick não foi um inovador absoluto, partindo do nada para remodelar os parâmetros de um gênero que, de certa forma, caminhava numa mesmice crescente. Quem as obras definitivas de Theodore Sturgeon "Além do Humano", "O Homem Sintético" e "Vênus mais X" sabe do que estou falando quando me refiro ao tipo de inovação que Dick iria propor em sua obra (Sturgeon foi, ao que parece, o primeiro dos autores da velha guarda da FC americana a fazer a transição da chamada era clássica - voltada aos aspectos "hards", tecnológicos - à nova geração, ao "soft", de preocupação psicológica e interior; Heinlein veio depois). Mas o fato é que Dick - um dos legítimos frutos diretos dessa nova era - foi o primeiro a se aprofundar verdadeiramente nestes aspectos mais obscuros e ignorados da ficção científica, ali ficando até morrer. Ao contrário de muitos outros autores, ele não quis se projetar para fora, mas para dentro do ser humano, fato que o tornou um dos verdadeiros pais da camada "New Wave" no início da década de 1960. Por trás de seus fascinantes robôs indagadores e seus famosos conflitos de realidade ou jogos de paranóia se escondia uma complexidade quase sobre-humana de indagações filosóficas e metafísicas. Ao longo de seu trabalho, e ainda que de maneira completamente desorganizada, Dick explorou à exaustão todas as possibilidades das questões "realidade" e "não-realidade", ou os diversos modos como ambas podem ser interpretadas. No famoso "A Formiga Elétrica" (1969), por exemplo, um homem comum acorda um belo dia num hospital e descobre, para seu total espanto, que é um autômato, um simulacro enganado por uma realidade o tempo todo forjada em seus próprios mecanismos vitais. Mas essa não é a maior das surpresas... Em "Identidade Perdida" (1974) ocorre algo semelhante; porém, dessa vez toda a distorção provocada naquilo que parece ser o real é causada pela utilização da poderosa droga KR-3, que não só é capaz de alterar o equilíbrio da realidade de quem a ingere, mas também afetar esse equilíbrio de forma a distorcer tudo ao seu redor, no processo. No brilhante "Se Benny Cemoli não existisse" (1963) a distorção da realidade é causada de maneira intencional pelos personagens, tendo em vista enganar e saciar os interesses inescrupulosos de uma organização de reabilitação da Terra pós-guerra nuclear através de um jornal homeostático, que falsifica informações. Já no desconcertante "Ubik" (1969) a questão é levada às ultimas conseqüências, quando vemos a realidade se desdobrando em facetas inimagináveis, não só do ponto de vista individual, mas também coletivamente, até mesmo após a morte.
Insaciável "descascador de cebolas" que era, com o passar dos anos Dick se aprofunda ainda mais no tema, tornando-o cada vez mais complexo. Se a religião (fenômeno que o fascinava) vinha aparecendo de forma relativamente superficial em suas histórias até então, o mesmo não se daria com os livros que iria produzir a partir de "Dies Irae" (1976), que seria seguido por "O Mistério de Valis" e "Invasão Divina" (ambos de 1981), formando uma espécie de trilogia cujos contornos haviam sido levemente delineados no surpreendente "Labirinto da Morte" (1970), onde lança algumas interessantes idéias a respeito dos mitos divinos e do possível contato.desses mitos com seus seguidores, numa espécie de alienação "sub-realística". Em "O Caçador de Andróides" o conflito de realidade - e suas quase sempre insuspeitas trocas de valores - é trabalhado de maneira mais sutil, quase alegórica, mas presente. Nesse livro, a alienação sub-realística causada pela religião é apresentada na figura messiânica de Mercer (um guru de valores duvidosos, para dizer pouco), que se manifesta a seus seguidores através de uma "caixa de empatia" (uma espécie de televisão inter-dimensional capaz de estabelecer contato físico), fornecendo um sentido para suas existências - um sentido aparentemente enganoso, se não bastasse (mas sempre devemos lembrar que com Dick nada é o que aparenta ser...) Deckard, afinal, pode ter sido enganado por uma realidade falsa e ser um andróide; embora esta possibilidade não esteja completamente implícita no romance, é fácil perceber que o autor, bastante afeito a colocar dúvidas e mais dúvidas existenciais em seus personagens, deixa bastante perguntas sem respostas quanto a própria objetividade da trama. A questão é: em quem acreditar, afinal? (e essa pergunta se estende a toda obra do autor). No já citado "A Formiga Elétrica" o autor nos fala, através de seu personagem: "a objetividade não passa de um dispositivo sintético que lida com a universalização hipotética de uma infinidade de realidades subjetivas". No glorioso volume de contos sobre robôs "Máquinas que Pensam" (L&PM Editores, Porto Alegre, 1985), organizado por Patricia S. Warrick e Martin H. Greenberg e editado por Isaac Asimov, vemos a seguinte referência: "Desde a primeira obra que publicou, nos idos de 1950 e poucos, Dick se interessou por invenções cibernéticas e o efeito que produzem sobre criaturas humanas. Ele e Asimov figuram entre os escritores mais prolíficos de histórias de robôs e computadores. Dick se mostra mais pessimista que Asimov ao considerar que o homem há de sempre utilizar a inteligência da máquina com critério, pois, segundo seu ponto de vista, a natureza humana está imbuída de um elemento destrutivo, que a leva, com grande freqüência, a empregar mal o poder que as invenções cibernéticas colocaram a eu alcance. Um dos temas que repete com mais freqüência é o de que o homem se transforma, cada vez mais, na máquina ou robôs criados por ele".
Gramophones DigitaisO único incômodo de se ler Philip K. Dick atualmente é que ele tinha a incorrigível mania de ambientar suas histórias em futuros demasiadamente próximos. Seus melhores livros foram escritos na década de 1960 e na maioria deles a trama se passa nas décadas de 80 e 90, de modo que seu futurismo complexo e engenhoso, de uma forma ou de outra, acaba caindo no anacronismo - quase cômico - de nosso passado medíocre... O próprio "Caçador de Andróides" é um exemplo: apesar de ser um dos livros mais complexos e imaginativos da ficção científica, com uma das melhores (senão a melhor) especulações sobre eterno conflito homem-máquina, toda a sua trama, se analisada sob critérios "pouco pacientes", digamos assim, corre o risco de cair na banalidade pelo simples fato de ter sido ambientada no início da década de 1990 do nosso passado - o nosso passado medíocre... Não é à toa que grande parte dos escritores de FC prefere não arriscar na sorte e jogar suas histórias para um futuro longínquo, que proporcione uma dose incalculada de imaginação e possibilite especulações das mais extravagantes na área que tange à tecnologia sem que isso signifique estar pisando terreno pantanoso. (Lembrando que no livro "Do Androids Dream of Eletric Sheep?" o ano em questão é 1992, enquanto no filme a história se passa em 2019).
Embora Ridley Scott tenha feito um trabalho excepcional, criando um filme que não é só considerado um dos melhores da ficção cientifica, mas também como um dos melhores da história do cinema, é claro que o livro é mais complexo, e acho que não poderia ser diferente. Na "Science-Fiction - The Ilustrated Encyclopedia" (Dorling Kindersley Book, London, 1995), John Clute nos diz que o livro não ficou famoso apenas por causa do filme de Scott, mas única e tão somente pela sua própria complexidade, e ainda aponta Dick com um dos mais influentes autores da América na segunda metade do século XX. Não pela sua "ciência", é claro, pois o autor sempre foi bastante arcaico neste aspecto, e nunca se preocupou muito com ele, a bem da verdade; mas sim pelas suas idéias, sempre ousadas e conflitantes, sempre interrogativas. Que no "Caçador de Andróides", entretanto, ele tenha sido incrivelmente moderno do ponto de vista científico, talvez seja pura coincidência. Sim, porque numa época em que as palavras "andróides" e "robôs" significavam seres de metal quase sempre feitos para durar indeterminadamente, mais do que ninguém ele se colocou à frente de seu tempo para especular em torno do que hoje não é mistério nenhum: clonagem, inseminação artificial, fertilização "in vitro", etc. Se suas ovelhas eram elétricas, seus andróides eram muito mais que isso. E que o digam os antiquados aparelhos de teste "Voigt-Kampff" ("mais humano que os humanos", era o slogan). Mesmo na época do filme (começo dos anos 80) essas idéias eram altamente especulativas e, ao contrário do que se vê hoje diariamente, não tinham um contorno definido fora do contexto dos autores de FC. Daí a dúvida: afinal, quem impulsiona quem?: a FC inspira a ciência ou a ciência inspira a FC? Até hoje ninguém conseguiu responder essa pergunta... Partindo desse princípio sólido e sofisticado por si só, Dick escolheu dois paralelos específicos para desenvolver suas especulações, dois elementos distintos no romance: o primeiro, e mais importante, se refere a desumanização crescente do ser humano em vista de seus poderes de criação; e o segundo, por contraste, a tentativa de retornar à humanidade perdida através do amor tardio aos animais, agora extintos. Trocando em miúdos: o homem aprendeu a criar andróides ultra-sofisticados capazes até de superar seus criadores em indagações metafísicas e ao mesmo tempo destruiu grande parte da fauna e flora terrestres, as quais não consegue reproduzir a contento. Portanto, os animais verdadeiros que ainda restaram nesse mundo caótico de poluição e degradação social acima de qualquer controle valem mais - e fácil presumir - que qualquer ser humano. Acabaram por se transformar no mais novo símbolo de status.
Deckard ama os animais, mas tem dificuldades em conseguir um verdadeiro devido aos seus parcos recursos financeiros. Para conseguir um, não vê outra alternativa senão liquidar - ou retirar - um perigoso grupo de andróides invasores - os NEXUS-6, proibidos na Terra e utilizados somente nas colônias espaciais, como escravos -, os mais avançados e capazes da Rosen Corporation (no filme é Tyrell Corporation), pelo que seria convenientemente remunerado. Andróides que, acuados como verdadeiros animais, acabam por desenvolver um sentido de percepção ainda mais aguçado que o dos humanos verdadeiros - talvez pelo fato de que viverão por apenas quatro anos, após o que serão automaticamente desativados. (René Descartes, o filósofo francês, considerava os animais como meras máquinas pelo simples fato de serem destituídos da "substancia espiritual" - a alma - necessária para dar valor e dirigir um organismo; e aí vem a pergunta: o que esses revoltados andróides invasores achariam dessa idéia?...). As coisas perdem seus valores - ou trocam seus valores - e essa questão dos animais se tornado muito mais importantes do que andróides orgânicos inteiramente capazes de compreender o sentido e o significado da existência foi parcialmente abolida na versão em filme de Ridley Scott, assim como a referência a Mercer e à caixa de empatia. O diretor e seus roteiristas Hampton Fancher e David Peoples (com uma mãozinha do próprio Philip Dick, segundo consta) preferiram abordar apenas a primeira questão (a do ser humano se confundindo e perdendo seu status pelos seus próprios simulacros, mais objetivos) e deixar de lado essa espécie de contraste existencial causado pela tentativa de redenção no amor aos animais. No entanto, nessa diferenciação de posturas, o filme ganha pontos por inserir mais explicitamente a idéia - esmagadora - de que o próprio Deckard, afinal de contas, pode ser um andróide.
E Bestas ElétricasOu não. Existem dois finais, apesar de tudo, e embora saibamos qual foi a intenção inicial do diretor, a questão perdura. De qualquer modo, sendo ou não um andróide, a idéia não dilui o impacto, pois o que presenciamos com mais intensidade é a agonia dos seres artificiais, os "replicantes", que lutam por uma humanidade que a própria humanidade está desprezando; eles querem algo que está sendo jogado fora e não se conformam de não conseguirem. Percebem que são no mínimo iguais a seus criadores, mas com somente quatro anos de vida, e querem mais. O filme retrata esta situação tão realisticamente que é impossível ficar indiferente com a espécie humana naquela cena (a mais forte) em que o replicante Roy Betty (interpretado magnificamente por Rutger Hauer), após salvar Deckard de se precipitar do alto do edifício, expõe os seus sentimentos da seguinte forma: "Eu vi coisas como vocês nunca acreditariam. Naves de ataque em chamas perto da Borda de Órion. Vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo... como lágrimas... na chuva. Hora de morrer".
Após lutar com todas as suas forças e todos os seus instintos de sobrevivência o replicante morre, deixando um atônito Deckard com a alma em frangalhos. Com o seu próprio sentido de existência deformado. Com a dúvida. Nada mal para "algo" que fora criado unicamente para servir como besta de carga móvel do programa de colonização espacial. Mas e quanto a Deckard? Viverá? Terá esse direito? Raquel (Sean Young), por quem, aliás, está apaixonado, sabemos desde o princípio ser uma andróide. Mas e quanto a ele? É possível obter a resposta no brilho impiedoso dos olhos de Gaff (Edward James Olmos), aquele oficial de polícia com mania de dobraduras. "Afinal", complementa o próprio Gaff, "quem vive?". Talvez os replicantes estejam lutando por algo que não vale a pena.
 
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